Aristide Louis Fontana (1834-1885)
Ébano que alimenta a águia de Júpiter
Mármore, 102 x 52 cm
Assinado no verso: Aristide Fontana Sc. Carrara
Aristide Louis Fontana (1834-1885) infundiu nesta obra, intitulada Ébano alimentando a águia de Júpiter, todo o requinte técnico do mármore de Carrara, assinando-a no verso com a inscrição "Aristide Fontana Sc Carrara". A escultura, que mede 102 x 52 cm, retrata a jovem copeira dos Deuses num momento de delicada intimidade mitológica. Ébano é representada sentada numa rocha com extrema naturalidade; o seu corpo está envolto num drapeado suave que acompanha as suas formas sem as constranger, conferindo à figura uma graça fluida. O seu gesto, medido e quase afetuoso, cria um diálogo silencioso com a ave de rapina: enquanto uma mão se estende para a águia, a outra segura um pequeno vaso que remete para o néctar do Olimpo. Nesta cena, a águia — símbolo do poder divino — perde qualquer traço ameaçador para se tornar dócil, contribuindo para uma humanização do mito típica da sensibilidade do final do século XIX.
A obra insere-se perfeitamente naquela corrente artística que olhava para o mundo clássico como um ideal de harmonia e beleza, reinterpretando-o, no entanto, através de uma veia sentimental e lírica. Aristide Fontana foi um intérprete magistral deste equilíbrio, movendo-se entre a tradição neoclássica e as sugestões românticas. Filho de artista (o seu pai era o escultor Fernando Fontana), Aristide cresceu no culto da forma pura, inspirando-se profundamente nos modelos canovianos.
A sua vida e carreira desenrolaram-se entre a Itália e a Inglaterra: após o casamento com Emma Bowkett em Londres em 1871, viveu um período em Carrara, centro nevrálgico do trabalho do mármore, onde nasceu o filho Cesare. Posteriormente, regressou à Grã-Bretanha, onde participou regularmente em prestigiadas exposições internacionais. Entre os seus sucessos contam-se a participação na Exposição Geral Italiana de Turim em 1884, onde apresentou a escultura Princesa de Gales, e as frequentes exposições na Royal Academy entre 1881 e 1885. Nestas sedes, Fontana destacou-se pelos seus temas femininos e retratos, capazes de fundir um classicismo elegante com uma sensibilidade moderna. Esta escultura de Ébano representa a síntese perfeita do seu percurso: uma obra que une rigor formal e graça narrativa, restituindo ao mito uma dimensão poética e serena.