Assunto: Casamento da Virgem.
Técnica: óleo sobre tela.
Autor: escola de Toledo, círculo de Luis Tristán.
A pintura que apresentamos representa um valioso exemplar do maneirismo espanhol, provavelmente atribuível ao âmbito da "escola de Toledo" e, mais precisamente, ao círculo de Luis Tristán, aluno de El Greco e seu imediato sucessor à frente de sua escola pictórica da antiga capital da Espanha, da qual marcará ao mesmo tempo o fim.
Presente na oficina de El Greco entre 1603 e 1607, bem como na morte do Mestre em 1614, Luis Tristán, apesar de seu desaparecimento prematuro, ocorrido em 1624, apenas dez anos após o de Cretense, nos deixou uma abundante produção de obras, fiéis aos temas do Mestre, mas simplificadas no esquema compositivo através de uma liricidade das formas, em sua maioria, reconduzida às proporções do real.
Já no retábulo de São Benedito de Ypes (localidade perto de Toledo) estão presentes sinais de uma incipiente emancipação de El Greco, sobretudo no alongamento das figuras, em parte realizado com dificuldade.
Eloquente é o aspecto cromático, de cores surdas que já abandonaram a transparência aérea típica da paleta de El Greco.
Um papel determinante deve ter sido desempenhado para Tristán tanto pela influência dos artistas italianos (Cambiaso, Zuccari) ativos no Escorial (o grande canteiro de obras de Filipe II) quanto, e em medida não menor, pela viagem à Itália (1606-1613), em que o artista tem a oportunidade de confrontar-se diretamente com a lição de Caravaggio, primeira e direta causa deste retorno estilístico à humilde realidade do dia a dia, sem ter que necessariamente abandonar o misticismo de El Greco, graças ao qual a arte espanhola havia sido desprovincializada, misticismo este, no entanto, agora rebaixado a tons mais humildes e apagados.
Uma representação pictórica constantemente em balanço entre a tradição "acadêmica" italiana e a lição transfigurativa, toda voltada para a eternidade de El Greco, parece ser a característica primordial da obra de Tristán, tudo filtrado por uma séria tomada de consciência do realismo Caravaggesco (paradigmático é o São Pedro e São Francisco (Segóvia, Palácio de Riofrío) ou a Santa Mônica do Prado).
Esta oscilação estilística é testemunhada pelo pleno retorno de Tristán aos módulos compositivos de El Greco na tardia pala (1623) para o convento de Santa Clara de Toledo, uma pala que ecoa de perto as vibrações estilísticas de El Greco do "Batismo de Cristo" e do "Pentecostes", a ponto de induzir erroneamente o crítico Ceán Bermúdez a atribuí-la a El Greco e não a Tristán.
Quanto à nossa pintura, uma comparação com o "Casamento da Virgem" (Bucareste, Museu Nacional de Arte da Romênia) de El Greco permite traçar a evolução da maneira de Tristán, enquadrando a obra em questão num período (precisamente não identificável nos termos de uma data precisa em virtude da mencionada "oscilação" de Tristán) em parte marcado pela aderência à "deformação" de El Greco, do qual, no entanto, aqui se abandona o aspecto cromático expresso pela proeminência concedida às cores surdas.
Da mesma forma, o esquema compositivo da nossa pintura atesta uma homenagem ao plano rafaelesco (aquele Rafael que El Greco, tal como a arquitetura, havia homenageado, inserindo-o junto com Michelangelo, Ticiano e Clovio, na sua "Expulsão dos Mercadores do Templo") com uma certa acribia reservada ao detalhe arquitetónico do templo, ausente no Casamento de El Greco, todo concentrado na cena, ambientada no seu interior com uma nítida tomada de distância das soluções perspetivas classicistas.