Flandres, Primeira metade do século XVI
Menino Jesus de Malines, ou Salvator Mundi
Madeira policromada, A 45cm
A escultura examinada retrata o Menino Jesus de acordo com a célebre tipologia do Menino Jesus de Malines (em flamengo Mechels Kindje), uma produção devocional particularmente difundida nos Países Baixos meridionais entre o final do século XV e a primeira metade do século XVI, com centro principal na cidade de Mechelen (Malines na tradição francesa). A iconografia, destinada sobretudo à devoção privada e conventual, conheceu uma grande fortuna comercial e circulou amplamente também em área germânica, ibérica e italiana, graças aos tráfegos internacionais das oficinas flamengas.
A figura pertence ao tipo do Salvator Mundi infantil: o Menino, representado em pé e nu, avança ligeiramente a perna direita em atitude dinâmica e benfazeja, enquanto a mão oposta sustenta o globo terrestre, símbolo da soberania universal de Cristo sobre o mundo. A postura frontal, o gesto da bênção latina e o globo crucífero derivam diretamente da iconografia do Cristo adulto Salvator Mundi, aqui reinterpretada em forma infantil segundo uma sensibilidade tardo-gótica fortemente narrativa e afetiva.
Do ponto de vista estilístico, a escultura apresenta os caracteres típicos da produção de Malines: o rosto arredondado com bochechas cheias, os olhos pequenos e próximos, o sorriso acenado, a curta cabeleira de cachos miúdos e anelados dispostos ordenadamente na testa. A anatomia aparece voluntariamente simplificada e sintética, com membros cilíndricos e modelagem sumária, segundo modalidades seriais próprias das oficinas especializadas ativas na cidade flamenga entre os séculos XV e XVI. A policromia original, elemento essencial destas produções, contribuía para acentuar o naturalismo da figura e a sua eficácia devocional.
Os Meninos de Malines eram frequentemente concebidos como imagens "vestíveis": a escultura podia ser adornada com tecidos preciosos, coroas, colares votivos ou pequenos ex-votos metálicos, segundo práticas devocionais difundidas sobretudo nos mosteiros femininos e em contextos domésticos aristocráticos. Este costume explica tanto a relativa esquematicidade anatómica como a presença frequente de furos ou adaptações destinados à aplicação de roupas e acessórios.
A fortuna de tais imagens foi favorecida pela organização protoindustrial das oficinas de Mechelen, especializadas na produção de pequenas esculturas em madeira destinadas à exportação. A cidade tornou-se de facto, juntamente com Antuérpia e Bruxelas, um dos maiores centros europeus para a escultura devocional em madeira policromada.
Do ponto de vista iconográfico e tipológico, a obra encontra comparação com o Menino Jesus conservado no Museum Hof van Busleyden, com os exemplares do Museu de Lovaina e com os numerosos Niños de Flandes, conservados em coleções museais, como a do Museu da Madeira, ou privadas espanholas e portuguesas, testemunho da difusão ibérica desta produção flamenga. Comparações pertinentes podem ainda ser estabelecidas com as pequenas esculturas devocionais exportadas para Veneza e a Itália central no início do século XVI, onde tais modelos influenciaram também algumas produções locais.
A presente escultura insere-se, pois, plenamente na afortunada produção dos "Mechelen toys", termo com que a historiografia anglo-saxónica identifica estas imagens devocionais de pequeno formato, apreciadas pelo seu caráter íntimo, doméstico e afetivo. A obra constitui um significativo testemunho da circulação europeia de modelos figurativos flamengos no início do século XVI e da difusão de uma devoção cristológica centrada na humanidade infantil de Cristo.
??Todas as nossas obras são acompanhadas por um aprofundado certificado de autenticidade.
?? Embalagem profissional e envio assegurado para garantir a máxima segurança no transporte.
?? Para mais informações não hesite em contactar-nos +39 329 319 4887 –
[email protected]
?? Possibilidade de VIDEOCHAMADAS e vistorias diretas mediante agendamento em MILÃ e BORGOMANERO (NO).
?? Mais informações e fotografias: www.dequart.com IG - FB @dequ.art