Alegoria da Sabedoria ou Minerva em madeira finamente esculpida.
Roma, segunda metade do século XVII. Altura 88 cm.
A escultura exibe características inteiramente inseridas na cultura do barroco romano do final do século XVII, com evidentes influências berninianas na concepção dinâmica e expressiva da figura, na teatralidade do gesto e na construção fortemente cenográfica do drapeado.
Mais do que uma representação canônica de Minerva, a figura parece referir-se ao repertório de alegorias armadas, muito difundidas em aparatos efêmeros, decorações festivas e mobiliário eclesiástico da Roma do século XVII.
A qualidade da escultura, aliada à viva invenção ornamental da base em volutas, sugere o trabalho de um mestre entalhador experiente, ativo no ambiente romano, próximo à cultura decorativa do círculo de Gian Lorenzo Bernini ou de cenógrafos-ornamentistas como Giovanni Paolo Schor e outros importantes escultores em mármore como Raggi, Ferrata, Guidi e Foggini.
A parte traseira, sumariamente trabalhada, indica uma provável destinação arquitetônica ou decorativa da escultura, talvez inserida originalmente em um complexo maior — coro, aparato de madeira, máquina celebrativa ou mobiliário eclesiástico.