Raro e fascinante tabernáculo de madeira da região veneziana, provavelmente Veneza, datado dos primeiros anos do século XIX, caracterizado por uma estrutura em forma de urna trapezoidal, elevada sobre quatro elegantes pés de leão esculpidos e dourados.
A superfície é finalizada com laca clara e rica douração a folha de ouro, de excelente qualidade e ainda bem legível, com frisos e molduras entalhadas que emolduram painéis pintados em verde sálvia, embelezados com refinados motivos foliares dourados, executados com mão experiente e gosto neoclássico.
A frente é caracterizada pela porta original de formato circular, decorada com um olho radiante inscrito em uma amêndoa, iconografia de forte impacto simbólico reconduzível à representação da Divindade ou do Olho da Providência. A representação plástica das pálpebras e da arcada supraciliar constitui um detalhe raro e incomum nos tabernáculos coevos, conferindo à obra uma aura particularmente sugestiva.
Nas laterais existem cabeças de leão douradas esculpidas em alto relevo, que reforçam o caráter solene e decorativo do conjunto.
A parte superior conserva um friso dourado atualmente colocado em posição central; as impressões visíveis indicam que este elemento fazia provavelmente parte de um aparato decorativo mais amplo, posteriormente readaptado. Salienta-se ainda a falta da tampa superior original.
No geral, um objeto de grande fascínio decorativo e simbólico, raro pela tipologia e qualidade executiva, ideal tanto para colecionadores de mobiliário sacro como elemento de decoração de forte presença cénica.