Domenico Mastroianni (Arpino (FR), 1876 - Roma 1962)
Batismo
Bronze com pátina dourada, 23 x 78 x 30 cm
Assinado na base D. MASTROIANNI
Obra-prima de fundição e cinzelamento em bronze, Batismo de Domenico Mastroianni apresenta-se como uma composição de extraordinária riqueza figurativa. A obra, realizada em bronze com pátina dourada sobre uma base oval em mármore verde mesclado, desenvolve-se horizontalmente, desdobrando um mundo de figuras mitológicas e simbólicas que remetem tanto à tradição clássica quanto ao gosto sinuoso da Art Nouveau. No centro da composição abre-se uma bacia em forma de concha, sustentada por uma estrutura rochosa da qual emergem elementos naturalistas, caracóis e caranguejos nas laterais da base. Em torno deste fulcro organizam-se seis figuras femininas: três carregam um bebê nos braços, evocando o tema da maternidade e do rito batismal, enquanto as outras três seguram cestos cheios de flores. Outras figuras estão deitadas ao longo da base, em poses languidamente abandonadas que lembram as ninfas e as náides da tradição helenística.
Domenico Mastroianni nasce em Arpino em 1876, filho de Pietro, artesão, e de Angela Redivivo. Desde jovem revela excepcionais dotes de desenhista, aprimorando as primeiras habilidades manuais na oficina paterna, onde aprende a trabalhar a madeira. Posteriormente, aproxima-se da terracota e da cerâmica frequentando os ateliês ativos em Arpino desde o início do século XIX. Sua vida muda de rumo em 1894, quando o colecionador Carlo Quadrini, pertencente a uma das famílias mais abastadas da cidade, o acolhe em sua residência romana na via del Babuino e lhe abre as portas de um horizonte cultural até então inacessível. Autodidata por formação e vocação, Mastroianni realiza nas décadas seguintes uma longa peregrinação europeia que o leva a residir em Viena, Budapeste, Berlim, Londres e Bruxelas, com paradas decisivas em Paris. Na capital francesa, fica fascinado pelos impressionistas - Renoir, Pissarro, Degas, Manet - e sofre o fascínio invasivo da Art Nouveau e, em parte, a influência de Auguste Rodin. No entanto, é Honoré Daumier que lhe sugere algo mais profundo: a ideia romântica de uma beleza a ser buscada não no ideal abstrato, mas no tecido vivo da sociedade moderna. Em Viena, é atraído por Gustav Klimt e Alfons Mucha, pela graça sinuosa e sensualidade com que representam a figura feminina. Esses fermentos depositam-se em sua linguagem plástica, transformando-se em um estilo muito pessoal em que classicismo, simbolismo e decorativismo se fundem. Batismo insere-se coerentemente no percurso de um artista que soube declinar o grande tema da vida - nascimento, maternidade, dom, purificação - através do filtro de uma sensibilidade plástica nutrida por diversas culturas. Uma comparação significativa é oferecida pelo Monumento aos Caídos de Arpino, no qual Mastroianni traduz em formas solenes e comovidas o luto coletivo, demonstrando saber dominar com igual autoridade o registro celebrativo e o íntimo. Um plano adicional de leitura é oferecido pelas quarenta e duas cartolinas com ilustrações extraídas da Divina Comédia - dezoito para o Inferno, catorze para o Purgatório, dez para o Paraíso - editadas por A. Traldi de Milão e hoje conservadas na Fundação Umberto Mastroianni de Arpino, que guarda um expressivo acervo de fotosculturas do artista. Essas obras sobre papel, nascidas do encontro entre a visão dantesca e o traço de Mastroianni, revelam a mesma capacidade de construir espaços habitados por corpos em tensão emocional que se encontra em Batismo, confirmando a coerência profunda de uma poética que atravessa gêneros e materiais diversos, permanecendo sempre fiel a si mesma.