Escola romana do século XVII
Capricho com ruínas antigas
óleo sobre tela, 38 x 49 cm
Moldura, 58 x 69 cm
Esta sofisticada composição, atribuível à produção da escola romana do século XVII, configura-se como uma obra realizada "a duas mãos", testemunho daquela profícua colaboração entre especialistas típica das botegas setecentistas. Enquanto a imponente cenografia de ruínas clássicas reflete a cultura antiquária romana, o pintor das figuras é de clara origem flamenga, reconhecível pela vivacidade anedótica dos personagens que povoam a cena e por uma representação dos tipos humanos que funde o naturalismo nórdico com o gosto pela "bambocciata" então em voga na Urbe. O autor demonstra perita particular na articulação do espaço arquitetônico, sendo especialmente hábil na realização das sombras e do chiaroscuro, através dos quais confere volume e solenidade ao arco triunfal em ruínas, contrastando magistralmente as superfícies de pedra erodidas pelo tempo com a luminosidade atmosférica da paisagem retrostante. A vegetação que se insinua entre os blocos de travertino e o cuidado na representação das veias do mármore e das colunas caneladas inserem-se plenamente na tradição do capricho barroco, onde o antigo não é apenas memória histórica, mas moldura cenográfica para uma humanidade colhida na sua cotidiana e humilde simplicidade. O equilíbrio entre o rigor da perspectiva arquitetônica e a liberdade pictórica das passagens paisagísticas confirma a alta qualidade executiva desta tela, preciosa peça do diálogo artístico entre a sensibilidade nórdica e a magnificência da Roma barroca.