Século XVIII
Cofre com cenas de caça
Madeira envernizada com incrustações de placas de osso pirogravado, 25 x 43 x 21 cm
A obra é acompanhada por certificação CITES
Este requintado cofre, um exemplo admirável de marcenaria e arte decorativa, apresenta-se como um artefacto de extraordinária elegância e perícia artesanal, destinado originalmente à guarda de preciosidades ou documentos confidenciais. A estrutura arquitetónica do objeto é definida por um corpo retangular encimado por uma tampa de baú em forma de tronco de pirâmide, que confere ao conjunto um perfil esguio e sólido ao mesmo tempo. A superfície da madeira foi submetida a um processo de envernizamento, uma técnica que, através do uso de corantes e acabamentos escuros, confere à madeira comum o aspeto nobre, profundo e brilhante do precioso ébano, criando um contraste cromático de extremo impacto visual com os insertos claros. O verdadeiro centro ornamental da peça reside, de facto, nas numerosas placas de osso incrustadas ao longo dos lados, na frente e na tampa, rodeadas por finas filetes decorativas que realçam a sua luminosidade natural.
A decoração destas placas foi realizada com a técnica do osso pirogravado, um procedimento que exige uma mão firme e extrema precisão, pois o desenho é impresso na superfície orgânica através de pontas metálicas incandescentes ou pequenos buris aquecidos que deixam uma marca acastanhada indelével. As gravuras dão vida a um vibrante ciclo de cenas de caça, tema caro à clientela aristocrática da época. Numa das cenas centrais, destaca-se a figura de um caçador em plena perseguição, enquanto noutra placa é possível admirar a nobre figura de um cetreiro, com a ave de rapina pousada no braço, símbolo de uma caça ritual e elitista. O restante aparato iconográfico celebra o dinamismo do mundo selvagem: javalis maciços em corrida, lebres ágeis que saltam entre os arbustos e veados capturados no momento da fuga frenética enquanto são perseguidos por cães de alcateia rápidos e determinados.