Costantino Rosa (Bergamo, 1803 – 1878)
Par de paisagens montanhosas
Óleo sobre tela, 52 x 71 cm
Com moldura, 62 x 81,5 cm
Este Par de paisagens montanhosas de Costantino Rosa representa um exemplo eloquente de sua atividade madura e da centralidade do tema naturalista em sua produção. Concebidas como pendant, as duas telas propõem visões complementares do ambiente montanhoso, focadas em vislumbres de vales e bosques, retratados com atenção analítica e com um marcado senso de participação emocional na paisagem. Uma das duas pinturas apresenta assinatura e data de 1877, situando-se, portanto, na última fase da carreira do artista. Diferentemente de muitos pintores de sua época, Rosa se dedicou à pintura apenas na idade adulta, após um primeiro aprendizado na profissão de ourives. A virada ocorreu graças ao encorajamento do amigo Enrico Scuri, que o impeliu a empreender uma formação sistemática. Em 1821, matriculou-se na Accademia Carrara, onde permaneceu por uma década, acompanhando com proveito o ensino do diretor Giuseppe Diotti, que reconheceu seu potencial. Posteriormente, expôs regularmente na Accademia di Brera, entrando em contato com a linguagem paisagística de Massimo d'Azeglio e Giovanni Migliara, modelos determinantes para a elaboração de seu estilo. Sua biografia pessoal foi marcada por controversas vivências sentimentais, que levaram a um rompimento com o ambiente acadêmico bergamasco. Daí a escolha de se mudar primeiro para Roma e depois para Nápoles, onde entrou em contato com a Escola de Posillipo, enriquecendo seu repertório através do estudo direto da natureza e da luz. De volta a Bergamo, retomou a expor com sucesso até os últimos anos, vividos ao lado de sua segunda esposa, Ester Zambelli, que o acompanhou até a morte, ocorrida em 1878. Os dois Paisagens montanhosas refletem plenamente essa experiência: na primeira, um vilarejo atravessado por um curso d'água e uma ponte de pedra é animado por poucas figuras, integradas com medida ao contexto; na segunda, uma cena mais recolhida mostra um riacho entre rochas e uma construção rústica imersa no verde. Em ambos os casos, a presença humana permanece subordinada à natureza, segundo uma visão romântico-naturalista que privilegia o equilíbrio entre ambiente e vida cotidiana. A luz clara, a calibrada profundidade espacial e a representação atmosférica confirmam a coerência da linguagem de Rosa, fiel a uma poética agora consciente, mesmo em uma época em que novas tendências pictóricas começavam a questionar sua atualidade.