O vaso, esculpido a partir de um único bloco de alabastro cotognino, representa um exemplo significativo da produção em pedra florentina entre o final do século XVI e o início do século XVII. A forma é adornada com duas alças laterais, desenvolvidas em cartelas decoradas com seis esferas em relevo, interpretáveis como besantes heráldicos. Este motivo ornamental remete à emblemática heráldica da família Medici, em particular ao célebre brasão com as seis bolas que, a partir do século XV, se tornou o símbolo dinástico da casa.
A utilização do alabastro cotognino – variedade apreciada pela sua translucidez e pelas características nervuras quentes e irregulares – testemunha a atenção para materiais preciosos e difíceis de trabalhar, destinados a encomendas de alto nível. A representação plástica das esferas, esculpidas em relevo, não tem apenas valor decorativo, mas também alusivo, configurando-se como uma referência direta ao prestígio político e cultural dos Medici na Florença tardo-renascentista.
Do ponto de vista tipológico, o artefacto situa-se num âmbito produtivo que entrelaça elementos de gosto maneirista com um crescente interesse pelo colecionismo de objetos lapidares, concebidos não apenas como mobiliário, mas também como testemunhos de pertença, estatuto e identidade familiar.
O vaso, pela sua qualidade material e o evidente valor simbólico, pode, portanto, ser interpretado como parte daquela cultura do "luxo dinástico" que, na Florença grão-ducal, encontrou nas artes decorativas um poderoso instrumento de representação e memória.
Desgastes na parte inferior do vaso e restauros nas cartelas e nas esferas, compatíveis com a época e o uso.