Retomado em parte de
“A Idade da Prata” afresco de Pietro da Cortona
Sanvitale retrata apenas uma parte do afresco de Pietro da Cortona.
Exatamente a parte esquerda onde há um jovem Baco empenhado em espremer a uva dentro de uma taça para obter o vinho e, repousada aos seus pés, a deusa Pomona, deusa da abundância e dos frutos que o observa com ar dengoso enquanto um putto está atento a comer alguns cachos de uva.
Sanvitale na parte direita do quadro não pinta as figuras que se vêem no afresco, mas cria uma sua fantasia. Um caramanchão sobre o qual se arrasta uma vinha e, por baixo, postos em primeiro plano, coloca os frutos que encontra durante o outono.
Deste modo faz mais “seu” este quadro!
Aluno e seguidor de Carlo Carrà, o pintor romano Alberto Sanvitale ( Roma 1927 - Sanremo 1999 ) transferir-se-á em 1966 para a Riviera Ligure. O seu colorido pictórico e a grande força decorativa das suas obras tem origem numa inspiração genuína que o fez indicar como o Matisse italiano. Este segundo de dois grandes painéis a têmpera reportado sobre placa de masonite faziam parte dos tetos pintados do Casino de Sanremo.
Obra assinada.
Itália - Sanremo 1970 ca.
Medidas : Altura cm 185 Largura cm 240
Notas:
A Idade da Prata representa um período menos bom do precedente(Idade do Ouro) mas ainda favorável e é descrita por Ovídio como idade de sementeira dos campos: «Quando Saturno foi caçado para as trevas, o mundo caiu sob o domínio de Júpiter que criou as quatro estações( inverno, primavera, verão e outono) e subentrou a “Idade da Prata”.
Enquanto a ”Idade de Ouro” é uma idade idílica onde os homens e as mulheres obtêm da natureza tudo o que serve para viver e onde tudo nasce espontaneamente, um momento de serenidade.
A “Idade da Prata” é uma parte de vida em que os homens continuam a ter uma vida tranquila, mas se começa a perceber que algo está a mudar. O jovem Baco deve espremer a uva para obter o vinho. Sob os olhos vigilantes de uma jovem deusa, Pomona, que tem entre as mãos os frutos estivais. No afresco que se encontra na sala da “Estufa” nos Uffizi, estão pintadas diversas personagens atentas ao trabalho. Alguns tosquiam as ovelhas para, depois, obter a lã, outros têm nos braços jovens ovelhas para se dedicarem à pastorícia, etc. Na parte direita há raparigas que recolheram espigas de trigo e a presença de um arado faz perceber que agora o homem deve iniciar o trabalho os campos para obter a comida que lhe servirá. Mas a atmosfera que se respira ainda é bastante despreocupada.