Parato em Couro Dourado
"O MITO DE HÉRCULES"
Continua e é reapresentado o estudo e o aprofundamento dos temas clássicos, interpretados com traços formais novos; neste caso, o tema escolhido é o famoso mito de Hércules. O tema é a apoteose do personagem do mito, que luta continuamente como homem mortal, embora algumas divindades frequentemente venham em seu auxílio. Hércules é o personagem que ocupa o espaço central dos módulos individuais que compõem os aparatos simétricos dois a dois abertos como um livro. Ao lado, aparece um querubim segurando um ramo de louro e uma coroa que está apoiando na cabeça do herói, revestido de uma couraça de couro com as clássicas tiras, que segura na mão a clava construída com um “tronco de oliveira”; como os caçadores primitivos, tem um manto sobre os ombros. Na versão A, segura no braço uma cornucópia (segundo o poeta Ovídio, era um dos dois chifres taurinos, do deus fluvial Aqueloo, quebrado por Hércules e que as Náiades encheram de frutas e flores, símbolo da abundância). Na versão A, Héracles pisa no leão Nemeu. Na versão B, empunha a clava com a mão esquerda, veste uma couraça escamada de couro à romana e sobre o ombro a pele de cabra, homenagem do camponês Molorco, que o havia hospedado e que havia presenteado Hércules com a cabra, que depois é oferecida aos deuses. Nesta versão, Hércules pisa na Hidra. Em ambos os módulos, aparece uma faixa lateral muito elaborada, elemento naturalístico, representando um grande tronco, do qual se desprendem, de ambos os lados, diversos ramos, que terminam em volutas giratórias que preenchem os espaços ao redor da figura e também fora. A alternância dos módulos cria uma elegante faixa sinuosa, que abrigará as figuras citadas na série dos chamados trabalhos. A faixa é um motivo que depois se redobra criando um belíssimo elemento decorativo. No módulo A, na faixa, aparece o centauro, a cabeça do touro de Creta, uma ave de rapina e um corpo de leão (?). Na faixa do módulo B, são inseridos os animais e as figuras com delicados relevos e punções: a cerva, as aves de rapina, a cabeça do javali, o rosto de Nereu e as espirais do tritão. No centro, o cão Cérbero, retido por uma corrente entre a folhagem, constitui o ponto de tangência dos dois módulos. Os numerosos sarmentos, sinuosos, curvando-se e dividindo-se, são um claro exemplo do momento criativo da metade do século XVII, onde cada espaço é aproveitado de forma rica, elegante e redundante. É de ressaltar a paixão pela caça, elemento de lazer, de habilidade, com sua relação com a natureza, com os belíssimos cavalos ornados de trajes e de todos os acessórios. Os caçadores apareciam depois nos suntuosos banquetes visíveis em pinturas coevas. O fundo das composições pintadas a óleo nestes exemplos é de duas tonalidades: ocre amarelo claro; em geral, a cor dos fundos era escolhida pela encomenda em relação ao ambiente onde os corames eram pendurados
ÉPOCA: Séc. XVII. 1660
DIMENSÕES: 149x118cm
FABRICAÇÃO: Holanda
AUTOR: Hans Le Maire
PROVENIÊNCIA: Coleção Particular
MANUFATURES AFINS
Musée National de la Renaissance em Ecouen (F), Rosenborg Castle em Copenhagen (DK)