Frans Franken III (Antuérpia, 1607-1667) e ajudantes, Adoração dos Magos
Óleo sobre madeira, h cm 73,5 x 91 (com moldura), h cm 53 x 70 (madeira sem moldura)
Bom estado de conservação
Negociação reservada
Objeto acompanhado de certificado de autenticidade e expertise (em anexo ao link abaixo)
A pintura a óleo sobre madeira, com fundo dourado, retrata uma Adoração dos Magos. Os Magos estão vestidos com roupas suntuosas em seda e brocados; usam preciosos cocares e joias. A riqueza de suas vestes contrasta com a humildade da Sagrada Família e dos outros personagens que, ao redor, curiosos, observam a cena. A cabana é simples, em madeira e palha: sobre ela brilha a cometa, símbolo do evento divino. Ao longe, um grupo de viajantes percorrem um caminho que se perde no horizonte, confundindo-se com o ouro do fundo.
A representação propõe uma iconografia tradicional, na qual o pintor insere alguns detalhes que se prestam a interpretações simbólicas. Entre estas, está o aspeto dos Magos, que desde o século XIV se diferencia iconograficamente: os sábios astrónomos representam a homenagem a Jesus das partes do mundo então conhecidas, ou seja, África, Ásia e Europa. À direita dos Magos, em primeiro plano, senta-se um macaco, considerado criatura demoníaca e símbolo de mentira e pecado. Ele é retratado à parte, como derrotado, ao lado de um fragmento de coluna clássica: a ruína alude ao fim do paganismo, do velho mundo que desmorona com o advento do novo, marcado pelo nascimento de Cristo e pela libertação do Pecado Original. Sobre as ruínas, trepa hera, símbolo da imortalidade da alma. A obra é atribuível à oficina do pintor flamengo Frans Francken III, pertencente a uma prolífica família de pintores de Antuérpia que, por quatro gerações, desempenhou um papel predominante na arte local. É comparável a uma pintura de Frans Francken III, conservada no Museu de Belas Artes de Tournai, na Bélgica. Neste trabalho, é representada a mesma composição, com algumas variantes cromáticas e na qual o artista descreve, no fundo, um vislumbre de uma cidade flamenga com casas, uma ponte sob a qual corre um rio e alguns habitantes. O céu azul é marcado por algumas nuvens e algumas árvores despidas sugerem a estação invernal.
Frans Francken III (Antuérpia, 1607-1667) pertence à dinastia de pintores Francken. Filho de Frans Francken II e de Elisabeth Placquet, formou-se na oficina do pai. Em 1639-‘40, entrou para a Corporação de São Lucas e, em 1656, em reconhecimento ao sucesso de suas obras, tornou-se decano. Sua habilidade em pintar pequenas figuras faz com que ele seja frequentemente solicitado por outros artistas para animar composições de paisagens ou interiores com figuras de *staffage*.
Frans Francken III especializou-se em pequenos quadros, pintando temas tanto sagrados quanto profanos. Suas obras, caracterizadas pela vivacidade das cores, variam na riqueza narrativa em função da solicitação e do gosto dos clientes e de suas possibilidades económicas. Frequentemente sobrecarregado de trabalho, utiliza a ajuda dos colaboradores da oficina, que imitam habilmente o seu estilo. Teve diversos alunos, entre eles Carstian Luyckx e Jan Baptist Segaert.
Carlotta Venegoni