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Exclusive

Bottega degli Embriachi, século XV, Cofre com cenas da vida de Páris

Codice: 458196
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Época: Século XV
Categoria: Caixas e estojos
Expositor
Ars Antiqua SRL
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+39 02 29529057
http://www.arsantiquasrl.com
Bottega degli Embriachi, século XV, Cofre com cenas da vida de Páris 
Descrição:
Bottega degli Embriachi, século XV Cofre com cenas da vida de Páris Madeira, osso, 16 x 19,5 x 15 cm Este requintado cofre de casamento retangular em osso e madeira é um testemunho significativo da produção da Bottega degli Embriachi, a célebre manufatura florentino-veneziana fundada pelo nobre Baldassarre Ubriachi no final do século XIV e ativa na primeira metade do século XV. A oficina operou como uma empresa protoindustrial para responder à crescente demanda por objetos de luxo doméstico da rica burguesia e da nobreza tardo-gótica. O sucesso dos artefatos residia na decomposição serial dos ciclos narrativos em placas convexas individuais de osso bovino, esculpidas e justapostas em um núcleo de madeira com minúsculos entalhes geométricos de estilo certosino. O cofre se encaixa perfeitamente neste repertório, oferecendo uma narrativa profana centrada no mito das Histórias de Páris, filtrado através das lentes dos romances corteses medievais muito populares em contextos matrimoniais. A escolha desse ciclo era interpretada em chave cavalheiresca como uma exaltação do amor, da aventura e do destino dinástico, temas ideais para guardar os tesouros de uma jovem noiva. A análise dos relevos evidencia a extraordinária perícia da oficina em condensar a complexa biografia do herói troiano dentro dos rígidos limites físicos das placas. A narrativa se abre com as origens do mito: o recém-nascido Páris, subtraído da morte decretada por causa do sonho profético de sua mãe Hécuba, é entregue ao pastor Agelau, que decide criá-lo como seu próprio filho no monte Ida. O episódio seguinte mostra Páris jovem em sua condição pastoral, representado através da imagem codificada de um homem que carrega um carneiro nas costas, símbolo de sua temporária estranheza aos fastos da corte real. Continuando a leitura, o fundo se enriquece com detalhes fitomorfos e rupestres, onde densos entalhes verticais simulam a vegetação do monte Ida. É aqui que o destino do jovem se cumpre, aproximado pelas divindades para resolver a disputa da maçã de ouro: em uma sequência de placas consecutivas, um personagem é retratado ajoelhado diante de duas figuras em pé, no exato momento em que Páris recebe a tarefa divina de ser o juiz da beleza entre as deusas Juno, Atena e Afrodite. A seção mais dinâmica do aparato iconográfico é a cena marinha, na qual os entalhadores demonstram notável capacidade de síntese volumétrica. Em um único painel, uma embarcação medieval com vela rompe ondas cortiçadas espessas e rítmicas. A bordo, distinguem-se os perfis de dois personagens para ilustrar a viagem marítima empreendida por Páris, já reconhecido pelo rei Príamo e reintegrado em seu posto de príncipe troiano, rumo a Esparta. O desembarque em terra grega e a subsequente entrada na corte são evocados nas placas adjacentes, onde figuras em trajes corteses se movem em direção à embarcação para receber a delegação. Nos registros restantes, desdobram-se os densos diálogos e encontros cerimoniais entre Páris e Helena, marcados pelo elegante ritmo dos corpos flexuosos e pelas dobras verticais das vestes que imitam as cadências da escultura tardo-gótica da época. Nos cantos do cofre, dentro de nichos arquitetônicos, destacam-se as habituais figuras femininas de canto: Virtudes protetoras, em pé e armadas com escudos, com função augural. Finalmente, toda a narrativa repousa sobre uma alta base de madeira revestida por um friso contínuo em osso, onde se perseguem pequenos gênios alados nus ou querubins, capturados em poses plásticas e ágeis enquanto correm entre amplos ramos de folhas lobadas, um motivo ornamental de matriz clássica reinterpretado pelo gosto cortês que sela a coerência formal desta esplêndida obra-prima de microescultura.