Antiga Escultura de Xamã Birmanês, final do século XIX
Descrição:
Antiga Escultura de Xamã, arte tradicional birmanesa do final do século XIX, apoiada em uma base quadrada, é retratada em pé com uma bengala na mão esquerda e uma espécie de cabaça e um recipiente na mão direita. Veste uma saia vermelha com decorações listradas amarelas e o corpo tatuado com círculos e listras pretas sugere um corpo feminino pela presença de seios proeminentes que, no entanto, contrastam com a barba postiça no queixo e o chapéu masculino. A postura também é peculiar, pois as pernas, desproporcionalmente curtas em relação ao tronco, estão dobradas como no ato de sentar. Feita de um único pedaço de madeira, esta figura de aparência simpática apresenta-se em bom estado, exceto pela integração da parte frontal do pé esquerdo e uma pequena falta na parte terminal da cabaça. A escultura em questão é um exemplo de arte tradicional birmanesa, especificamente uma figura escultural policromada de um xamã birmanês. Estas obras datam geralmente do final de 1800, um período durante o qual a arte birmanesa refletia múltiplas influências culturais, incluindo as budistas e animistas. São frequentemente peças únicas com uma forte expressão espiritual e religiosa. Na Birmânia, durante esta época, a religião budista era predominante, mas também o animismo desempenhava um papel importante, pelo que muitas esculturas eram dedicadas a divindades, espíritos protetores ou figuras religiosas. Os xamãs birmaneses tinham um papel central na vida espiritual das comunidades, sendo vistos como intermediários entre o mundo terreno e o dos espíritos; frequentemente assumiam poses particulares que evocavam o seu poder e a conexão com o mundo invisível. Sua postura ereta representa prontidão, energia e conexão entre céu e terra. O xamã em pé está em ato de agir: não está em meditação passiva, mas ativo em seu papel de guia espiritual. Provavelmente está realizando um rito ou é retratado no momento do transe. A bengala é um instrumento poderoso. Em muitas tradições, representa a autoridade espiritual e a conexão com o mundo dos espíritos. A cabaça também era usada como recipiente de ervas, medicamentos ou líquidos sagrados, ou como instrumento sonoro (como maracas, às vezes). É também um símbolo de abundância, cura e conexão com a natureza.
Altura: 42 cm
Largura: 22 cm
Profundidade: 20 cm
art. A1478