Abraham Janssens II, o Jovem
(Antuérpia 1616 - 1649)
"O Arrependimento de Maria Madalena"
Óleo sobre tela
Tela cm. 107 x 87
Cornice cm. 130 x 110
Este retrato duplo de excelente qualidade e notável beleza retrata as duas santas irmãs Maria Madalena e Marta.
A cena, já por si dramática, é pintada com grande vigor, criando uma forte emoção no espectador.
Madalena está em primeiro plano, em meio corpo e em tamanho natural, com Marta curvada em direção a ela atrás dela.
Iconograficamente, a pintura é excepcionalmente rara.
Maria Madalena é identificada como uma ex-pecadora, pelos magníficos cabelos longos e soltos que caem sobre os ombros e cobrem os seios.
Com a cabeça inclinada para a direita e o olhar com os olhos lacrimejantes voltados para cima, ela tem as mãos juntas no colo, sugerindo uma posição de oração.
Marta se volta para ela de forma consoladora, usando um véu listrado e o rosto completamente sombreado, flagrada no ato de converter Maria de sua vida de pecado para conduzi-la à fé em Cristo, argumentando sabiamente suas teses diante da irmã.
A monumentalidade da figura protagonista, a paleta de cores vívida e a pincelada elegante são todas características típicas da pintura flamenga mais suntuosa do século XVII, e todos os detalhes da cena levam a atribuir esta obra a Abraham Janssens II, o Jovem.
Ele, tendo assumido a oficina de seu pai após sua morte em 1632, criou uma série de magníficas telas com cores vivas, com representações femininas de grande fascínio e intensa expressividade.
Ainda com vinte e poucos anos, recebeu o título de mestre da famosa Corporação de São Lucas de Antuérpia em 1636.
Como muitos outros artistas belgas e holandeses, Janssens mudou-se posteriormente para Roma em 1639 para estudar de perto a pintura antiga e as obras de Caravaggio.
Viveu e trabalhou na cidade até 1649, onde dividiu uma acomodação com o paisagista holandês Johannes Lingelbach.
Janssens, trabalhando muito jovem na oficina de seu pai, obviamente seguiu o estilo de seu homônimo pai, um importante pintor de Antuérpia no início do século XVII, mas de forma ainda mais evidente a mensagem de Peter Paul Rubens, como a maioria dos flamengos daquela época.
Nesta obra, presumivelmente pintada em Roma na década de 1640, a paleta de cores, o brilho das vestes e os virtuosismo volumétricos atestam em particular a influência do grande Mestre, mas também devem ser enfatizadas as referências a Caravaggio nos claroscuros violentos e a Guido Reni nas notas mais delicadas da composição, testemunhando a estadia na Itália do autor.
A pintura se distingue, além de suas qualidades pictóricas de primeira ordem, também por um excelente estado de conservação, sem restaurações ou retoques.
Uma bela moldura barroca lacada e dourada completa perfeitamente a tela.
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