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Ignazio Lo Giudice (ativo séculos XVII-XVIII) Martírio de São Lourenço

Codice: 311161
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Autor: Ignazio Lo Giudice (attivo XVII-XVIII)
Época: Século XVIII
Categoria: Período setecentista
Expositor
AliceFineArt
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Piazza Tre Martiri, 2, Rimini (RN (Rimini)), Italia
Paolo +39 335424463 | Anna +39 3333290299
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Ignazio Lo Giudice (ativo séculos XVII-XVIII) Martírio de São Lourenço 
Descrição:
Ignazio Lo Giudice (ativo séculos XVII-XVIII) Martírio de São Lourenço cera policromada, materiais diversos cm 70 x 79 1710 aprox. Proveniência: Palermo, coleção Alessi A cena, inserida em um espaço delimitado por árvores-quinta, retrata o martírio de São Lourenço, episódio frequentemente preferido entre as representações relativas ao mártir de origem espanhola, mas aqui fortemente laicizado, quase totalmente desprovido da componente dramática exigida pelo evento. O santo está colocado sobre a grelha e está no ato de virar para o outro lado, recordando sua observação feita durante o suplício:“Vejam se estou cozido o suficiente deste lado, e virem-me e cozinhem-me do outro” (cfr. J. Hall, Dicionário dos sujeitos e dos símbolos na arte, Milão 1989, pp. 181-183). Tem à volta seus algozes, um dos quais alimenta o fogo, enquanto centralmente assiste à cena o prefeito com outra testemunha. Sobressai a representação um querubim alado esvoaçante. A interessante obra, a ser atribuída a Ignazio Lo Giudice, é um dos poucos apreciáveis testemunhos restantes da enorme produção de manufaturados em cera dos séculos XVIII e XIX. Tal dispersão, como observou Antonino Uccello, é devida tanto à fragilidade da matéria, quanto à pouca atenção prestada a esta forma de arte, considerada expressão de um artesanato menor (A. Uccello, O presépio popular na Sicília, Palermo 1979, pp. 64-67). O hábil ceroplasta é um dos componentes da família Lo Giudice, ativa ou proveniente da cidade de Agrigento entre o final do século XVII e as primeiras décadas do seguinte, até pouco mais de uma década atrás totalmente ignorada e redescoberta graças ao reencontro de numerosas obras datadas e assinadas em coleções privadas e conventuais e junto ao mercado de antiguidades (S. Grasso - M.C. Gulisano, Mundos em miniatura as ceras artísticas na Sicília do Setecentos, Palermo 2011, pp. 53-68; R.F. Margiotta, Lo Giudice Ignazio, in Artes decorativas na Sicília. Dicionário biográfico, por M.C. Di Natale, Palermo 2014, I, p. 373). Como observam Santina Grasso e Maria Concetta Gulisano:“Nenhuma indicação nos vem da dislocação das obras, que reencontramos tanto no palermitano quanto no agrigentino, mas a ausência de uma tradição ceroplástica documentada na cidade dos templos” poderia fazer pender para a localização da oficina dos Lo Giudice em Palermo, mesmo que os manufaturados chegados mostrem peculiaridades técnicas e estilísticas diferentes da coeva produção palermitana (S. Grasso - M.C. Gulisano, Mundos em miniatura..., 2011, p. 53). A capacidade técnica do artista se colhe na obra em exame na representação dos particulares, especialmente na definição dos vestidos minuciosamente embelezados em ouro puro. Estes detalhes, além da pose e da gesticulação dos personagens, contribuem a criar, como em outras semelhantes representações, quase o efeito de uma recitação teatral mais que a relembrar uma cena a caráter exclusivamente sacro. A obra, já junto à Galeria romana Carlo Virgilio & Co., atribuída ao Lo Giudice e datada de 1710 aproximadamente, mas lembrada como Martírio de São Bartolomeu, havia sido tornada notória por Aleth Mandula (Incarner les mystères de la foi. Proto-Dioramas, une histoire religieuse, in Dioramas, catálogo da mostra [Paris, Palais de Tokyo, 14 de junho-10 de setembro de 2017; Francfort-sur-le-Main, Schirn Kunsthalle Frankfurt, 6 de outubro de 2017 - 21 de janeiro de 2018] a cargo de K. Dohm, C. Garnier, L. Le Bon, F. Ostende, Paris 2017). O primeiro dos manufaturados reconduzidos ao artista agrigentino é a Visão de Santo Eustáquio inserida no interior de um tableau, com dentro um retângulo portando a inscrição:“Artis medicine D(octo)r D(on) Ignatius di lo Giudi- ce Agrigentinus / 1712”(S. Grasso - M.C. Gulisano, Mundos em miniatura..., 2011, p. 53; R.F. Margiotta, Um inventário de dom Aurelio Bona Fardella, barão de Giardinello, in Itinerários de arte na Sicília, por G. Barbera e M.C. Di Natale, Nápoles 2012, pp. 202-203), profissão que lhe havia provavelmente feito adquirir experiência na ceroplastia aplicada aos estudos de anatomia. O apreciável manufaturado, ainda custodiado pela família Bona de Giardinello, é de identificar com uma das cinco“scaffarate com suas molduras de ébano entalhadas e douradas de ouro de zecchina em uma das quais há santa Rosália com seu pedestal”, esta última infelizmente roubada há algumas décadas, listadas no inventário post mortem de dom Aurelio Bona Fardella, barão de Giardinello e acadêmico do Bom Gosto, datado de 9 de dezembro de 1774 (R.F. Margiotta, Um inventário..., in Itinerários..., 2012, pp. 202-203). À mesma série pertence São Jerônimo no deserto, também inserido em um espaço cênico delimitado por uma folhada vegetação, que se diferencia da Visão de Santo Eustáquio sobretudo por uma cor mais esmaecida provavelmente para simular o ambiente desértico (S. Grasso - M.C. Gulisano, Mundos em miniatura..., 2011, p. 57). Para as fortes afinidades com as obras acima citadas, foram referidas a Ignazio Lo Giudice quatro composições em cera, inseridas em outras tantas vitrines, vendidas junto à Casa de Leilões Semenzato, provenientes de uma coleção privada de Sciacca na província de Agrigento (Ibidem) e atribuídas até aquele momento a Anna Fortino (1673-1749), hábil modelatriz em cera palermitana (F. Chiappisi, Arte ceroplástica, in Sciacca cidade digna, Sciacca 1984, pp. 131-137, in part. 130-131; Idem, Arte ceroplástica em Val di Mazara nos séculos XVIII e XIX, in “Trapani. Rassegna della provincia”, a. XXIX, n. 261, 1985, pp. 13-24, in part. p. 21. Sobre a artista se veja M. Vitella, Fortino Anna, in Artes decorativas..., 2014, I, p. 256 com prec. bibl.). Os refinados manufaturados, lembrados como a Estrage dos inocentes, São Martinho que oferece o manto ao pobre (?), o Martírio de São Sebastião e Santa Rosália (Semenzato Casa d’Aste, Móveis pintados e objetos de coleções napolitanas e do Reino das duas Sicílias, Ercolano 16 de junho de 2000, lote n. 244), na realidade Santa Maria Madalena em oração, esta última datada de 1705, poderiam tirar inspiração, como foi já observado, dos famosos teatrinhos de Giacomo Serpotta ou de“aquelas formas de representações teatrais - comédias literárias e sacras representações até a comédia da arte - que naquele tempo obtinham grande sucesso”(cfr. S. Grasso - M.C. Gulisano, Mundos em miniatura..., 2011, pp. 57-58). Vi aflora a lembrança “daquele mundo irreal e fantástico descrito nos poemas cavalheirescos” que tanto sucesso obteve nos séculos passados, “não só em campo literário, mas também naquele musical e das artes visuais, um repertório difundido a nível de imagens também na Sicília através de uma vasta circulação de gravuras ilustrando os poemas de Ariosto e do Tasso”(Ibidem). Entre as obras reconduzidas a Ignazio Lo Giudice se lembra a Estigmatização de São Francisco, realizada nas primeiras décadas do século XVIII e custodiada no convento dos Padres Capuchinhos de Caccamo, que por manipulações recentes não custodia mais o originário retângulo com as referências ao seu autor, visível, no entanto, em uma foto de arquivo de 1981, mas a ele referível pelas fortes afinidades com outros manufaturados de tri- buição certa (S. Grasso - M.C. Gulisano, Mundos em miniatura..., 2011, p. 65). Nicola e Vincenzo Antonio Lo Giudice, componentes da mesma família, assinam respectivamente em 1702 duas composições em cera inseridas em ricas 3. Ignazio Lo Giudice, Estrage dos inocentes, 1705, mercado de antiguidades 4. Ignazio Lo Giudice, São Martinho mostra a cruz aos inimigos, 1705, mercado de antiguidades representações paisagísticas do mosteiro be- nedettino de São Martinho das Escadas junto a Monre- ale. As duas casas recitando as assinaturas acolhem o Descanso durante a fuga para o Egito e a Estigmatização de São Fran- cesco, a estas vão afiançadas outros dois tableaux privados da indicação dos artistas, São Sebastião e um Santo mártir, mas que pelas afinidades de linguagem podem ser atribuídos à mesma prolífica oficina (S. Gras- so - M.C. Gulisano, Mundos em miniatura..., 2011, pp. 62-64). As assonâncias estilísticas com algumas obras de Caterina De Jiulianis fazem hipotetizar contatos dos ceroplastas sicilianos com o ambiente partenopeu se não até mes- mo um conhecimento direto desta última artista (S. Grasso - M.C. Gulisano, Mundos em miniatura..., 2011, pp. 67-68). Rosalia Francesca