Giuseppe Rivadossi (Nave, 8 de julho de 1935), LIU', 23-9-2009
Escultura em gesso
Medidas: cm 46 x 24 x 20
Giuseppe Rivadossi (Nave, 8 de julho de 1935)
Heredou o interesse pela arte do pai, Clemente. Rivadossi iniciou oficialmente sua carreira artística nos anos sessenta, aproximando-se do estudo da escultura em madeira, da terracota e do trabalho em bronze, interessando-se desde o início pelo espaço doméstico, que se tornaria um dos temas-chave de toda a sua obra.
Nos anos setenta, graças à atenção de amigos como Francesca Amadio e de galeristas importantes como Renato Cardazzo, Elio Palmisano e Alfredo Paglione, começou a sua temporada de exposições como escultor, que o viu expor em diversos eventos artísticos nacionais e internacionais, como na Trienal de Milão (1974), na Bienal de Menton (1976), na Rotonda della Besana (1980), no Palazzo del Ridotto de Cesena (1996) e na Galleria d'arte moderna Palazzo Forti de Verona (2005).
Sobre o trabalho e a poética de Giuseppe Rivadossi escreveram, entre outros: Giovanni Testori, Vittorio Sgarbi, Roberto Tassi, Gianfranco Bruno, Marco Vallora, Ermanno Olmi, Giorgio Cortenova, Piercarlo Santini, Mario Botta.
Giuseppe Rivadossi diz:
Eu vi o trabalho com madeira desde que era criança.
Eu vi crescer florestas e cortar árvores de todos os tamanhos e qualidades.
Eu vi meu pai transformar essas madeiras em barris maravilhosos e em belíssimos carros para os agricultores vizinhos.
Até vinte, vinte e cinco anos atrás, onde agora vivo, a relação homem-homem, homem-natureza, ainda era baseada numa ética antiga.
Depois chegou a indústria e com ela começou o saque.
A esperança de uma vida menos dura logo se transformou em uma amarga constatação.
A nova tecnologia, que deveria ser apenas um instrumento mais aperfeiçoado, revelou-se um instrumento de frustração e de desagregação geral.
Agora, nesta situação, sinto cada vez mais profundamente a necessidade de expressar aquele sentido de unidade de fundo do existir, como ideia base para não perder ou para reencontrar a todo custo, a cada dia e em cada coisa.
Eu considero o ambiente na sua totalidade de natureza e de intervenção humana, a obra de arte única à qual tudo pertence e na qual todos estamos.
Eu acredito que (Arte) é todo o trabalho do homem e, falando do meu trabalho (que considero pelo que é, apenas uma pequeníssima parte daquela obra única na qual todos, bem ou mal, operamos e vivemos), vou lhes dizer que eu também, como meu pai, comecei construindo móveis e coisas várias em madeira para as minhas pessoas.
Andando adiante, me dei conta de que essas coisas deveriam ser construídas segundo exigências profundas e precisas.
Encontrei-me, assim, a trabalhar em recipientes (móveis) e esculturas com um aspecto cada vez mais em contraste com o ambiente, que, degenerando, ia se transformando e empobrecendo, e percebi que essas minhas coisas iam assumindo cada vez maior significado, tanto pela forma de construí-las quanto pelo material usado (a madeira). Deixei, então, perder em parte a função do conter por uma função diferente.
Cheguei, assim, a estas últimas, imagens nas quais a ideia de um viver diferente, de um viver dentro (dentro da vida, dentro das coisas da vida) é figurada através de estruturas que realizo partindo de um projeto preciso e recuperando, como linguagem primária, toda a comum técnica da carpintaria.
Agora estas imagens, estas esculturas e estes móveis nascem do profundo da minha experiência como um canto, daquela esperança e daquela única alternativa que nos está diante mais que de nostalgia pelo passado.
Giuseppe Rivadossi
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